Aquele que no meio da noite chegasse ao 3º espaço do coração no centro do peito, haveria de entreabrir outra porta. Abrindo-a e entrando, se deparava com outras dez portas metálicas. Numa das portas do fundo, estava a única aldrava que restara: tomada de ferrugem e, com uma efígie encravada no centro desenhando um jardim desfolhado porém iluminado. O sofrimento do passado de fuga estava ali e das seduções do presente também. Mas qualquer mínimo movimento de vênulas saberia que o destino estava em andamento por baixo dos reveses da circulação sanguínea: daquelas mesmas flores da infância aos mesclados brotos novos da adolescência povoada de cirandas em naufrágios; das longínquas manhãs que anunciavam a maturidade até o granítico tempo presente e seus esconderijos da solidão. Tudo em torvelinhos inventando outra hora em tic-tacs de desassossego.
De dezembro de 1994 a dezembro de 2001. Qual o próximo minuto de revelação ainda estava por saber e por ...enlunar o céu de dezembro?
Houvera uma lua redefinindo os dezembros nos últimos anos e incrustando-nos na pele alternâncias de sorrisos e melancolia? Isso também avançava, poro a poro, pelos umbrais de novos desejos, quando o viver intenso assimilava os sinos a soar ao longe enquanto o luar tornava-se cada vez mais imponente, mas falando-me do passado, da infância e adolescência em silêncio, da juventude e maturidade se exaurindo ruidosas e pletóricas de cumplicidade nas formas que apreendi as relações com o ar, o fogo, a chuva, o vento e as brisas de todas as formas de amor que já conheci.
Este terá sido o início ou o fim de outras águas dentro do peito?
Nessa época devo ter descoberto que na eqüidistância entre as estrelas, muitas estórias se afastam ou se aproximam pinelásticas no céu da pele que se plasma cetim e em consolo. São sinais deixados no hipocampo, são pontos e contrapontos, aspas e parêntesis reinventados?
Esse novo luar assemelha-se a infindável choro de outro céu, por debaixo da pele imemorial que, se perde tão logo da noção de tempo espaço e, que torna inequívoca a flora de tic-tacs de náusea. Pela presença de algo que não supre as faltas. Pelo desejo ocluso na boca dessa imensa noite. Pelo sono intranquilo. Pesadelo, pesadelos, velo e desvelo do próprio corpo: esse copo trêmulo e transbordante de águas sobre águas muito antigas – eis a textura da pele nessa noite precisa de um dezembro infindável da existência.
Na cama salvar-se rei e no reinado anoitecer plebeu. Desencantar-se. Desencontrar-se cada dia mais cedo ao fim de tudo: eis a tônica sem gin dessa vida limonada!
terça-feira, 1 de abril de 2008
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