quinta-feira, 12 de março de 2009

GENEALOGIAMOR - Cap. III

Começou com o menino José Heiná: de Heitor e Eglantina, em1945, na casa da Siqueira Mendes, em Abaetetuba. Ninita com 18 anos e Heitor com 28 (dez anos de diferença). Heitor largara o comércio de pequena cabotagem à vela e estabeleceu pequeno comércio em sociedade com um primo, também na Pedro II perto da “beira”. Não deu certo. Pequena estiva, falta de experiência, má administração, faliu, quebrou. O que fazer senão voltar pras terras do sítio no Furo do Pai Pedro... para a casa paterna na região das ilhas da costas de Abá, Maratauíra de nome. Ninita sequer sabia nadar...iria ser uma ribeirinha...teria de gapuiar, encher água nas cuias e latas, acender as lamparinas, cuidar do filho pequeno, andar de canoa...amassar açaí...
O menino José dava gosto de ver... ágil, perspicaz, antes mesmo de completar dez meses de vida, já andava no casarão da Vó Antonia e vô Horácio. E por lá, à beira do rio, inteligente o garoto, aprendeu a ler cedo, fora com a professora-mãe, antes dos 3 anos.
Depois vieram Heleno, em homenagem à tia Helena, Joseleno, José mais Heleno. A primeira menina, Joserlina nasceu em outra casa, no rio Maracapucu, em sua parte alta, na casa do finado Afonso, quase varando para o Jurupariquara, casa escola para a mãe professora Ninita que era sabida, tivera a melhor educação no colégio das freiras em Cametá... Lá também nasceu Josenor... e a mãe tomou a decisão : vou para a cidade. Colocou as crianças num pequeno barco a motor, de madeira, sem coberta, nem salva-vidas, sem eira nem beira... nem segurança na baía, perto da Ilha da Paçoca, segurança nenhuma, só mesmo o “valei-me Nossa Senhora!”. A pior tempestade de sua vida... momentos de rapidez sem medida, sem tempo para refletir... se tempo tivesse talvez dissesse como Cecília Meireles “ó meu Deus, isto é a minha alma: qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário, como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...”
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