quinta-feira, 12 de março de 2009

GENEALOGIAMOR MAUÉS. Cap. II

Ninita virou mulher, mãe, exemplo de paixão pela vida e pelos filhos, alguém que sempre combateu e destruiu a trivialidade superando seus limites numa necessidade ardente de ser original; Heitor, seu marido, moreno bonito e gentil, homem raro, exemplo de caráter, sem espantos diante dos sustos da vida, de uma calma e tranqüilidade macias para sobreviver sem vaidades a tudo o que chamamos ilusões. Assim foi o casamento. Abaetetuba seguia seu curso municipalista. E nos rios que são ruas, costa Maratauira, rio Maracapucu, furo do Pai Pedro, Casa Branca, Engenhos de Cana, comerciantes com canoa à vela, pequenas usinas de beneficiamento de azeite de andiroba, borracha, sarnambi, ucuúba, cacau, coisas que a natureza presenteava, o homem colhia, vendia e deixava a vida seguir seu curso.
Heitor Maués, filho mais velho de uma família de agás maiúsculos, ... Heitor, Helena, Hibernã, Hilda, Hélio, Hamilton, aos 17 anos, perdeu o pai Horácio, comerciante que navegava em canoas à vela – regatões - alugadas ao proprietário Raimundo Oliveira, Dico Oliveira para os íntimos. As viagens eram para o chamado Baixo Amazonas e para a região das ilhas do lago Arari, especialmente a Ilha de Marajó, para onde levavam sal, açúcar, estivas em geral, louças de barro e, especialidades do Município como cachaça, aguardente de cana de açúcar (famosa como branquinha, a azulzinha) cuja fórmula somente os engenhos de Abaeté a tinham. Na volta da viagem, lá vinham as canoas pilhadas com pirarucu salgado, jacaré, mais peixes da região, comércio feito para as grandes casas de Belém ou Abaetetuba.
Abaetetuba dos anos 40, sem luz elétrica, sem ruas asfaltadas, com seus caminhos virando ruas, avenidas. Adoecia uma criança? Leva pro Seu Contente ou pro SESP! Vai nascer um filho? Chama a Zita Margalho pra pegar a criança. Já nasceu a criança? Batiza na Igreja da Conceição, na praça matriz, essas coisas todas... tal e qual...
E a família do Heitor e da Eglantina Maués ia crescendo de dois em dois anos, a pasta Kolynos assinalava os enjôos, Ninita esperava criança. E assim foram 17 vezes, dessas todas vingaram 14 filhos, partos normais, os treze primeiros de parto em casa: quarto fechado, parteira atenta, Heitor ansioso do lado de fora, desviando dos sapatos que Ninita lhe jogava caso metesse a cara na porta...nasciam as crianças...sete dias no quarto, 40 dias dentro de casa...galinhas gordas com pirão escaldado...hum que delícia....! Mais um bebê e só o último na maternidade das irmãs xaverianas! Matemática registrada: foram dez anos e seis meses de gravidez, ou seja, trinta anos de gravidez, de 17 aos 47 anos, em média um ano e meio de amamentação para cada filho, sendo exclusiva até os seis primeiros meses de vida, além do ato solidário de ter sido mãe de leite de outros.
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