sábado, 18 de outubro de 2008

EM NOME DO PAI: PÁSSARO DAS HORAS.


EM NOME DO PAI: PÁSSARO DAS HORAS.


Os fulcros do teu amor,

quando nos iniciamos às visões de mundo,

ergueram pontes,

sinais silenciosos,

vôos entre a vigília e o sono

entre nós e o céu que habitas

e, hoje te alivia as dores do tempo.

Veja só que cilada a vida te pregou,

roubando-te numa cutilada só

os binóculos de flaneur

quase no fim de teu vôo de pássaro imemorial.

Agradecidos por nos teres ensinado também a voar

confortamo-nos com a promessa

de que um dia voaremos juntos novamente.

Esse silêncio que agora se instala no ar

é mais uma pedra

em nossas construções diárias em teu nome.

Alguém já disse até

que com a perda

morre no homem um dos sentidos.

Talvez isso seja pior que a obrigação de sepultar

na mesma idéia de transformar a vida em pó

junto à terra.

Os sentidos da existência,

como então saber mais

se esse ritual finda-se com a mistura à terra

da carne do homem que amamos ?

A esperança de ver sobre ti

belos frutos para sempre

nos enche de poeira de estrelas

para derramar sobre ti

e, amenizar a saudade de tuas mãos de veludo.

Sigamos sempre em paz

e sejamos

boas sementes depois de ti

e, na memória para sempre,

voaremos ao teu encontro.

Até logo passarinho

o tempo passará.