sábado, 27 de março de 2010

MÚSICA DE PELES

Para esquecer jamais esta música de peles desenhou-se em sombras o meu cansaço aqui onde escrevo correndo no tempo com a velocidade de uma estrela cadente. Subitamente o dia avisa que outras horas virão e outras nunca mais. Às vezes a vida é chuva fina, precipitação de tênues filetes d'água, como uma levitação brumosa que nos envolve. Como uma etérea transpiração. Como uma lágrima sutil quando descai. Contudo, por vezes é enxurrada torrencial. Um aluvião. É a força de um ritmo evocando uma temporalidade: a nostálgica estação das chuvas, próprias do norte do país em tempos de inverno, ou chuverno, como aqui chamamos. Certamente vivemos marcados por fluxos caudalosos. Entre luas submersas, chuvernos e mananciais, humores líquidos se esvaem. Humores diversos, todos corporais: suor, saliva, lágrimas e sangue, como diria lipectorianamente Lu Del Nero