sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

GENEALOGIAMOR MAUÉS. Cap. I

Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos. Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos. Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge. Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram. Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a. Minha virtude era esta errância por mares contraditórios, e este abandono para além da felicidade e da beleza” (Cecília Meireles).
Já escrevi que sou o 12º filho de um casal de bravos, donos de uma prole de 14 no total. Desde que passei a me orientar melhor no tempo e no espaço, também passei a não temer as adversidades, mesmo com algumas peles a menos, como meus pais assim o fizeram. Nascemos de Madalena nosso grande amor. Só Madalena, não! Nome de princesa Eglantina Maria Madalena, Ninita, na infância. Amiga da Laélia, Oscarina e Cleópatra suas colegas, sempre andavam juntas. Onde andarão? Dela sabemos que nasceu sob o signo de Leão no mês de julho de 1927, na cidade de Cametá, a mais cabana das cidades paraenses.
A infância foi pontuada por cuidados maternos que iam dos longos cabelos penteados, em casa, ao estudo da língua francesa, no colégio das freiras. Eglantina, Ninita, com dez anos, perdeu sua mãe, Júlia Amélia, parto difícil de bebê natimorto. Restaram os irmãos mais velhos Francisco e Maria José, e os menores, Expedito e Klinger e, já sem mãe. Klinger principalmente passou a dormir no peito de Ninita, a menina de 10 anos. E quem seria agora a mãe de Ninita para que ela fosse a mãe dos pequeninos senão a mãe do céu, a interventora de toda a esperança, porta do céu, rainha dos homens...
A menina de grandes olhos e pernas bem feitas foi interna no colégio das freiras, o INSA de Cametá - Instituto Nossa Senhora Auxiliadora. Lá se podia dizer Je vous salue, Marie, pleine de grace, priez pour nous, pauvres pêcheurs ... lá Le Seigner est avec vous ...e Marie era sempre a notre dame. (SALOMÃO LAREDO – escritor, a Dôra vai ver os arquivos de Cametá). Lá, a menina se fez mocinha, uma Ninita, quieta, tranqüila, fervorosa, coração e mente partilhado entre o céu, a Igreja e a terra, a casa onde não mais havia “mamãe”... Como não pensar em ser freira, em não se entregar a Jesus e a Maria como sua filha mais obediente e confiante?
Os planos de Deus ah, os planos de Deus: o certo e o torto pelas linhas tortas e certas trouxe-lhe um amor, um amor pra mais de 53 anos de vida comum, um amor para atravessar muitas maresias...onde? Ali, na casa do pai da segunda esposa de seu pai...D. Ormina Nery, filha do Filo Nery, onde seu pai, velho Pompeu, arigó malino, resolveu se casar pela segunda vez...desta feita em Abaetetuba. Em Cametá, ele fizera a vida, Pompeu dos Santos Reis Machado, paraibano, arigó malino, comerciante rico estabelecido nas primeiras ruas de Cametá, que já caíram ao remexer de Cobra Norato como o quer o imaginário amazônico...
Mais seis anos do segundo casamento de seu pai, Ninita se casou, aos 17 anos, na cidade de Abaetetuba, na tarde de 25 de dezembro de 1944. O que era casamento? Não, ela não tinha certeza ainda de nada, não sabia o que era casar e por isso chorou, quase não saiu do quarto para a cerimônia religiosa. Mas como falei “eram os planos de Deus”, seu noivo era o viajante Heitor do Carmo que a escolheu pelo belo par de pernas pelas quais se apaixonou. Ele sempre comentava, eram lindas as pernas da Ninita. A cerimônia religiosa aconteceu, na residência do padrinho Sr.Romeu Quaresma, uma casa de madeira da Pedro II, quase pegada à residência de Chiquinho e Lucinézia Paes e, a civil, no Cartório da Praça da Bandeira. Passou a chamar-se então, Eglantina Maria Madalena Maués suprimindo seu sobrenome de origem Leão Machado e, formando, a partir daí uma árvore que segurou todos os ventos fortes e as intempéries, durante 53 anos.
...........................................................................................................................................................................

































quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

POEMAS DO DESMANTELO DO CAMPO DE ESPERA



Está pronto! Em março publico meu segundo livro de poema com o título desta postagem. Nele o prelúdio avança sobre imagens largas que a palavra cria, recria, silencia e ressoa. São palavras aladas, diria. São asas debruçadas sobre horas intermináveis de poesia em rituais e cadeias que logo confundem-se com borboletas sobre uma tarde lisa-linho em desalinho tão somente como diria Júlia. Desintegram-se, volateiam em círculos e pétalas na iminiência do devir da aurora boreal ou em um crepúsculo sem par ou no meio de uma insone noite. São estrelas cadentes então? São luas submarinas? São mergulhos de sol em pôr? Sei que espelham-se num leito sobre instantes-já de esquecimento e levitação. Degustem!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

“não é a ilha”, “não é a praia”. “É o mar, a outra margem”.


Como se parte nesta vida a vida. Partes-se em pétalas de rosas numa brincadeira de bem e mal me quer, parte-se em mil ondas a partir de um ponto na água, parte-se em rios, lagos, braços e abraços de rios. Parte-se em dores na carne sentida por rios de quimioterapia. Parte-se em filetes nervosos que se radiculam do disco à polpa digital. Parte-se em Anas – que sempre se abrem em sorrisos de Cristinas cristalinas, Luísas de luzes, Cláudias de harmonia, em Roses – rosas que e partem no mar, em Claras que abrem as neves e as gotas da chuva. Enfim, morrem sobre a terra e sob a Terra alimentarão bons frutos para manter sempre acesas as chamas da vida.
Romantic, eu passava horas no cemitério de Abaetetuba no meio de minha adolescência. Em silêncio buscava alguns sons que toda aquela terra adormecia em silêncio. Fiz isso em São Paulo também e não encontrei nenhum silêncio. Acho então que é o território-afeto que mais nos silencia. Silêncio em Max. Max silenciou... “não é a ilha”, “não é a praia”. “É o mar, a outra margem”.

CODINOME BEIJA-FLOR: Afinal, em tempo de carnaval, tempo de contar casos, acasos e lorotas.


Este texto compilei de depoimentos de José Heiná, Pedro Maués e Heleno Maués. Registro aqui como forma de homenageá-los pela criatividade.

Estava a imaginar que sentido há nos apelidos com os quais conhecemos certas pessoas.
Lembremos alguns deles e, quem tiver conhecimento do significado, não economize palavras, é só encher de comentários que o texto agradece.
Lembro do ZAN, irmão da Zaíra, filhos de BEATO, um eterno batedor de açaí que nunca foi visto freqüentando qualquer templo que não o da vitaminosa, como chamavam as batedeiras de açaí em Abaeté. Nem o ZAN era zen nem beato um fervoroso fiel.
E o SETE ORELHAS, coitado, um pobre andarilho com a eterna trouxa nas costas a caminhar em direção ao mercado Municipal e retornando, lá pelo meio dia, cheio do chá branco na cabeça, a falar mal de todos e a ouvir a molecada chamá-lo pelo apelido, embora, como é normal nas pessoas, apenas duas fossem as orelhas que carregava.
A PAGOA deveria ser pagã, ou não? Pior. Chamavam-na de pagoinha, um diminutivo que não combinava com as fartas nádegas que portava a filha de D. MARIA SETE com seu IRAQUE. Maria Sete, só pode ser uma referência ás pragas bíblicas, ditas em número de sete, vez que dona Maria, vez por outra, rogava praga para qualquer moleque das redondezas. IRAQUE sempre foi uma corruptela de Heráclito, o marido tocador de clarinete na banda Carlos Gomes, colega de outro músico com outro não menos interrogativo apelido: O BESTEIRA. Este é para o qual jamais entendi o significado.
Em frente, dona NANINGA, oh apelido indefinido, jamais trazendo qualquer explicação, mas...
Meu cunhado, Higino de registro, era chamado de PEITO DE MUCURA BRANCA, outra referência que dá sentido à incógnita da referência a apelidos abaeteuaras.
Os irmãos SURRÃO, CAPELÃO e BABI, já os conheci assim e somente CAPELÃO tinha algo a defini-lo: tinha sido seminarista por algum tempo e, quem sabe, algum dia seria capelão de alguma orada distante e erma.
Os vizinhos davam mais interrogações: SAPO CHATO, NOSPLATA, GUDERO, NENÉO, CUTACA e ENGOLE TORO.
Ora, nem todo sapo é chato mas penso que aquele o era, quem sabe. NOSPLATA? O que é isso????????? GUDERO ??
CUTACA, talvez por ser esguio, fino e resvalar pelos escaninhos menores possíveis, qual uma verdadeira cutaquinha.
ENGOLE TORO seria uma referência ao pescoço alongado, ossos da face proeminentes e olhos esbugalhados, tal e qual de um grande amigo de agora. Deixa prá lá.
PUGUINA (assim a grafia?) morreu e não me deu explicação para o apelido. Era a graça para as piadas nas rodas de dominó.
ESPANTA ROLA, morador perto do campo de pouso, talvez referenciasse a fama de abater à baladeira ou mesmo a pauladas as rolinhas que abundavam (opa!) no antigo campo de aviação. Hoje, poderia ser entendido de outra forma.
CURIÓ, MUÇURELHO, GABIRU, PACAMÃO, PACA, pai do PIROCA, ANTUBO e NHORÉ CEBO, parceiros em geral, exceto PACAMÃO, muito depois entendido o porquê do apelido ao olhar um peixe com esse nome (quase) no mercado de São Braz. As caras dos dois eram iguais.
NHORÉ dizia que a origem de seu apelido era indiana (nhaaam, nhaaaaaaam, nhaaaaaaaam) o mantra que explicaria a origem. Nada crível, porém.
Por aí vão mais muitos outros cuja origem, fundamento ou explicação são sempre reticentes, nada científico, como por exemplo o GAMBITO, do qual diziam ser possuidor de uma terceira perna que daria para fazer descanso de carroça de burro, essas coisas que não são provadas cientificamente. Quem sabe?
N o time de futebol, a escalação em sistema antigo, goleiro, dois zagueiros, três na intermediária e cinco no ataque, tínhamos: BACU DA DEDAME, GOELA, GABIRU, NHORÉ e CULHÃO. BORRACHINHA, ANTUBO e BENÉ DA DUCHICA. TATU, CURIÓ, INCHADO, CHEIRA SACO e DUDINHA ou ainda o BREU, neguinho bom de bola, de gole, de dança e de porrada. Quer mais do cara?

Alguns apelidos são apropriados e refletem nitidamente a pessoa. Ou em seus dotes físicos ou comportamentais. Abaetetuba é rica em produzir codinomes e, em alguns casos, é muito difícil dissociar a pessoa do apelido. Até mesmo os funcionários dos Correios identificam as correspondências mais pelos apelidos do que pelo nome propriamente dito. Em outros casos, partimos pros famosos apelidos que refletem exatamente o contrário da pessoa que está sendo apelidada... como os apelidos sapo da cuieira... tem muitas pérolas lá por Abaeté: O Bebe do Preto que é branco., o Giz que é preto,o Bito Faquiado negão esguio que tentou se jogar da caixa dagua, o Padre Chumbinho e sua moto a Até no Meio (que segurou o bilau do cara e disse a frase do seu apelido).
Vou repassar alguns apelidos que povoam Abaeté. Para os dois lados: ou caindo como uma luva ou refletindo o contrário, tornando, assim, uma espécie de Fernando Pessoa e seus heterônimos. FELIZ: o eterno borracheiro ali da Rua Magno de Araújo...Podem procurar no quarteirão da casa dele quem é o cidadão ANTONIO FERREIRA...ninguém sabe quem é...Já o Feliz...(muito embora sua cara não denote muita felicidade...parece que vive chupando limão e fazendo careta). ESQUECIDO NA Q-BOA ou SURUBIM: precisa explicação???CARA DE DEFUNTO AMANHECIDO: um rapaz lá da Francilândia...magro, esquálido e muito pálido, sem uma gota de sangue nos lábios...BOCA DE DERRAME: sujeito pacato lá do Algodoal, que tem a boca um tanto quanto torta pro lado esquerdo.DEIXA QUE EU PAGO: um cidadão que é amputado de um dos braços e que anda com a manga comprida da camisa devidamente acomodada no bolso da calça...Onde ele chega a galera reconhece. Parece que vem sempre metendo a mão no bolso pra pagar a conta...ROSINH : uma conhecidíssima lá da Colônia...Dizem que essa rosa não é flor que se cheire...SEU MATERNO: esse morreu e eu não encontrava explicação para o apelido...Era homem, mas trazia consigo a alcunha de materno...ROCK DIAS: saudoso amigo adorava tocar carimbó, merengue e bregas em seu programa matinal na Rádio Guarany, descabendo por completo o gosto pelo rock and roll...JOÃO BENTO: parece que jogou voleybol com o Zé Heiná...Dizem que ele nunca foi batizado...MILICO: um senhor que morava lá na Rua Lauro Sodré e que tinha televisão em sua casa, para onde o Pedro Maués deslocou-se inúmeras vezes pra assistir A ponte do Suspiro...Dizem que ele nunca passou na porta de uma caserna, mas ainda assim era conhecido como milico...PIRANH : era o Humberto - ponta direita velocíssimo e driblador da Seleção de Abaeté...Um detalhe apenas: não tinha um caco de dente sequer em sua boca...O famoso sorriso desprevenido...CARA ERRADA: funcionário do Banco do Brasil. Dizem que ele não estava esperado pra nascer...Seria uma menina. Quando a mãe dele o pariu, uma alma logo vociferou: "olha lá, a cara do nenê tá errada"...Pegou cara Errada até hoje...BACENTO: um robusto promotor de festas e eventos lá do bairro de Santa Rosa...É bojudo.Tem uma protuberância abdominal que justifica o fato de acharem que ele tem um baço bastante avantajado...CARA DE PORCO COM PAPEIRA: Ribamar ou Riba para os mais chegados, era motorista de uma Kombi que prestava serviços pra Eletronorte...Era roliço e papudo...Como um porco mesmo...OSGA COM LABIRINTITE: jogador serelepe da equipe do Jairlândia...Corre meio adoidado em campo, embora as vezes acerte o alvo...Já repararam uma osga no momento de dar o bote???CU DURO: centroavante do Algodoal e camaroeiro nas horas vagas...Parece que não tinha guizo...Pra dar uma volta nos zagueiros era aquela demora...Tinha as ancas um pouco proeminentes...CU DE PAU: filho do Cutaca, que virou CUDÉ para os mais íntimos...Não sei mesmo a origem...FAMÍLIA DO RAIMUNDO SERVINO (Tio da Dira Paes).
TIO TRAIA : parece que sempre traía a confiança das pessoas.
ARARA - acho que era pela feiúra mesmo.
BIRU (na verdade ele era o Bilu- Bilu da mamãe...Virou Biru uma vez que foi almoçar no restaurante do Nishimura. Ao vê-lo, o nipônico tascou: Bem vindo Biru...Pegou até hoje e é o mesmo cara que a mulher apenas aponta o bico para apresentá-lo.Haja bagagem do Biru...; BOÉ: parece que sempre foi uma espécie de instrumento na mão dos outros...Era Clarinete, depois virou flauta, mais tarde Oboé e, por fim, Boé mesmo.
QUIBITA, BUTETÊ, JABÁ E TURU: os quatro atacantes da família...Ora bolas. Devemos é perguntar para os mais velhos. GALO CEGO ou FANIQUITO (esse nem precisa explicar).ZÉ BORÓ : guitarrista dos bons. Começou nos Muiraquitãs (parece que tocou com o citado Besteira). Depois do final do grupo, criou uma banda própria: the pop som, cujo cantor era o TCHÊ (rsrsrs)...fez carreira solo e até hoje ainda toca por lá por alguns borós...MARCHA RÉ: amiga e parenta do seu Dedé...Andava o tempo todo numa marcha bem lenta , quase prá trás..MEU COPO: jogador de futebol lá do cata-vento...Só anda com um copo a tiracolo...depois da pelada ele vai logo dizendo: ninguém toca no meu copo. pegou...MANOEL DO JEEP: Alcunha do pai do George, professor da UFPA.
MIOJO REQUENTADO: uma bossa que eu arranjei há um tempo atrás...Foi almoçar na nossa casa e não esboçou nenhuma reação com os músculos da face...Aliás, só os mexeu na hora de traçar umas 4 fatias de picanha...Alguém a olhou tentando achar alguma graça em seu jeito. não encontrou e tascaram: égua, essa moça parece Miojo requentado de tão sem graça...E era mesmo. Red card pra ela na segunda feira....
E de ressaltar também, Labibi, caxita, e porque esquecer do Pororoca, que quando dava aquela rodada dizia; baunitaaaa.Depois vem mais, agora Tira e te afasta. Já to botando a vassoura atrás da porta rsrsrs...ai ai ai...estresstab, maracujina, berocal por favor...