sexta-feira, 4 de abril de 2008
ENTRE UMA INSÔNIA E OUTRA.
Um papel de seda entre os dentes, meia lua cheia na colcha da cama e um corpo de vime debruçado sobre a insônia. Ainda assim consigo desenhar em neon nas quatro paredes a imagem dessa paixão. E, pouco importa se a bruma manchar a manhã que virá em tapete multicolorido e cheio de propostas, o desejo camufla-se em sangue e parte com o crepúsculo de porta em porta, desenhando metáforas de versos sem chão, sem nada sob os pés...simplesmente flutuando no ar em seda. Não há mais tempo para sair na brisa azul dias depois à procura de uma imagem onde as possibilidades de existir viandante não deixem rastros pelo deserto amoroso que atravessamos todas as horas. Resta sempre um pouco de tédio na memória corporal, no outro lado da insônia. Improvisa-se de tudo nesse labirinto: imensos blocos de gelo com suas infinitas agulhas, uma pele de lírios ou gardênias. Após o silvo de várias luas, surge o exílio da poesia: letras de mesma cor em noites e estrelas perdidas. Criam-se palavras que se reconciliam com a não-palavra, espetam-nos o peito e provocam dores lancinantes, novas pulsações simulando novos olhos de grafita nas paredes de novo. 6 da manhã, delineia-se um jogo nos primeiros minutos de mais uma manhã em centelhas muito antigas de um coração sem pressa, agradecido ao sol, ao vento, ao redemoinho da palavra e tufão de frases que se afirmam de pé sobre o dia nublado onde só existe lugar para despedir-me como antes o fiz. O essencial é não perder a orientação porque a lua que tive nos braços por toda a noite sangrou rosas no peito da manhã, veja.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
TRILHA DA SAUDADE
Pintei no peito um círculo no exato lugar do coração como “a impressão da trilha da saudade, como um artesão de palavras sem nome”. O dia passou sem avisar-me e deixou a flutuar o coração num limbo de indecisão sobre a pele, roubou-me da vista os jatos amarelos dos vitrais e findou a noite incrustando nos olhos um pântano sem horizontes. À pele restou no dia seguinte uma respiração gretada pelo sol; à fala da areia-pele ficou entre parêntesis na arena da palavra num jogo metafórico no cabelo da letra. Vejo-me em sedução completa e absolutamente iludível pelas letras, talvez para sempre. A palavra, a fala da pele você entende? Aquilo se nos sustenta mais que a clarividência das coisas, a profusão de imagens e símbolos possíveis mesmo que para um universo órfão e, que nunca foi propriamente falado mas que imprimiu uma espécie de diálogo entre o silêncio da escrita e os tracejados em branco entre cada palavra que se abre em fogo, poliédrica, polifônica e desvairada. Silêncio: manejo ensaios com a noite em roletas e fios sinuosos que me prendem bordado ao telhado do mundo há milênios e milênios. E, temporariamente imito nas vitrines de sonhos o vaso chinês que não sou e acordo em Pequim, sangrando cm a flecha da indiferença bruscamente introduzida na contemporaneidade das cenas que faço. Outro silêncio: poemas ensinam o exato sentido de estar confrontado com o próprio sono num misto de abandonar-se e resgatar-se por entre as miragens e brumas possíveis nos sonhos.
TRANSMUTAÇÃO
Transmutado de pirâmide às avessas, não mergulhava mais às cegas entre tuas colchas de retalhos do passado na cama – codinome do prazer – sorvendo o ar de dálias e mastigando refinadas glórias que me fazia invariavelmente lembrar aqueles botões com tua efígie e teus olhos de metal – fixos e lisos – fitando minhas costas lavadas por uma luz úmida. Naquele tempo começara a suspeitar que a cama – essa zona de litígio – qual antes me fora um continente perdido num imenso oceano, assumira a forma de uma ilha com um abismo à esquerda e um demônio familiar à direita. Fora o começo do desencanto meu ou do teu cabotinismo? Não sei, não sei, posto que, ainda nos permitíamos que tal amor policial e inquieto assumisse a responsabilidade do regresso com o perverso intuito de degolar, decepar-nos as mãos. Se foi um jogo, uma brincadeira por entrelinhas os corpos desfaleceram como mudas rosas sem perfume extasiados. Ainda assim as nuvens em sol ou sereno impõem regras mínimas de transparência aos dias seguintes e consolam flores reticentes mesmo que desprezadas em vasos com pedra de sal.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Ah se Cássia soubesse
Desenham-se em vítreos olhos os lamentos indolores hoje junto com a última lua do ano. Essa mesma lua que se derrama céu afora para animar os gritos , agora te silencia e, no silêncio não há rock, só a poesia que nos frágua mornais demais. São muitas as notas e letras que também se calam. São muitos dedos que repousam nunca mais ruidosos numa overdose só em sol maior. Foi-se para o lugar do segundo sol.
ALGUMAS PELES A MENOS
Talvez tenhamos nascido com “algumas peles a menos”, como diria Doris Lessing em Autobiografia Vol. I e, por isso mesmo precisamos criar um mundo inteiro de palavras através dessa pele fina para nos sentirmos refeitos a cada dor repartida. Nessa cumplicidade tenho me sentido “água sobre água, eis a textura de nossas peles”, como digo num poemeu. Eis a tônica, sem gin, dessa vida limonada com as dores e prazeres do tempo presente que nos esfola vivos muitas vezes na relação com o outro; aquele ou aquela que se nos apresenta tantas vezes distante e árido, que se vende facilmente às facilidades nos afetos e desafetos. Depois, acredito que numa relação chega o dia em que não há como recolher as folhas que secaram e caíram e, já adormeceram sob os pés do mundo e que, não há como reanimar na memória corporal os neurônios que se deseletrificaram em zonas específicas de nossas peles – campos imantados de poesia, diria -. Eles nunca saberão disso ...?! ... falta-lhes doçura, falta-lhes ouvidos para a voz do vento que a poesia nos sopra, falta-lhes o aprumo dos girassóis, “falta-lhes a liberdade das almas... frágil, frágil como o vidro”, como diria C. Meireles, debaixo da pele não frágil sob chuvas de fogo.
terça-feira, 1 de abril de 2008
DAS INTENÇÕES DITAS PERMANENTES ENQUANTO DUREM
Já escrevi que sou o 12º filho de um casal de bravos, donos de uma prole de 14 no total. Desde que passei a me orientar melhor no tempo e no espaço, também passei a não temer as adversidades, mesmo com algumas peles a menos, como meus pais assim o fizeram. Nasci de Madalena meu grande amor em casa, num dia especial (Não tenho anjo. Dizem-me gênio da humanidade!) bem cedinho do mês de outubro. Desde a infância, pelas mãos de algum anjo de nome ZITA, sinto que a vida me queima nas duas pontas, mas nada se acabará com meu fim. No lugar de células e água, devem correr letrinhas nas minhas veias porque cada vez que sangro ou lagrimo, nascem poemas; cada vez que sacudo as heras que o tempo me plantou na pele, vicejam pelo caminho gramíneas que constroem outros poemas e mais poemas. Os dias se passam, nunca em vão, fortalecendo em mim sonhos que nunca envelhecem apesar de o corpo padecer a cada minuto.
Sinto-me com a alma poeticamente jovem!
Os sóis que norteiam esses sonhos me acordam todos os dias bem cedo e me adormecem sempre muito mais tarde também. Isto me impôs o desafio de abrir portas sempre, por isso vou indo pelo mundo sem temê-las. Morri um pouco senti, quando me vi infância sob os escombros de nossa casa em madeira naquele dia...destruída por insetos, foi-se ao chão nossa casa...de quatro quartos (o das meninas, o dos pais com o filho menor, outro de Ângela e outro de Tom – Marrom). Estou frente a mais uma e vou abrí-la.
Sinto-me com a alma poeticamente jovem!
Os sóis que norteiam esses sonhos me acordam todos os dias bem cedo e me adormecem sempre muito mais tarde também. Isto me impôs o desafio de abrir portas sempre, por isso vou indo pelo mundo sem temê-las. Morri um pouco senti, quando me vi infância sob os escombros de nossa casa em madeira naquele dia...destruída por insetos, foi-se ao chão nossa casa...de quatro quartos (o das meninas, o dos pais com o filho menor, outro de Ângela e outro de Tom – Marrom). Estou frente a mais uma e vou abrí-la.
DOS MEANDROS GRANÍTICOS PEITO ADENTRO
Aquele que no meio da noite chegasse ao 3º espaço do coração no centro do peito, haveria de entreabrir outra porta. Abrindo-a e entrando, se deparava com outras dez portas metálicas. Numa das portas do fundo, estava a única aldrava que restara: tomada de ferrugem e, com uma efígie encravada no centro desenhando um jardim desfolhado porém iluminado. O sofrimento do passado de fuga estava ali e das seduções do presente também. Mas qualquer mínimo movimento de vênulas saberia que o destino estava em andamento por baixo dos reveses da circulação sanguínea: daquelas mesmas flores da infância aos mesclados brotos novos da adolescência povoada de cirandas em naufrágios; das longínquas manhãs que anunciavam a maturidade até o granítico tempo presente e seus esconderijos da solidão. Tudo em torvelinhos inventando outra hora em tic-tacs de desassossego.
De dezembro de 1994 a dezembro de 2001. Qual o próximo minuto de revelação ainda estava por saber e por ...enlunar o céu de dezembro?
Houvera uma lua redefinindo os dezembros nos últimos anos e incrustando-nos na pele alternâncias de sorrisos e melancolia? Isso também avançava, poro a poro, pelos umbrais de novos desejos, quando o viver intenso assimilava os sinos a soar ao longe enquanto o luar tornava-se cada vez mais imponente, mas falando-me do passado, da infância e adolescência em silêncio, da juventude e maturidade se exaurindo ruidosas e pletóricas de cumplicidade nas formas que apreendi as relações com o ar, o fogo, a chuva, o vento e as brisas de todas as formas de amor que já conheci.
Este terá sido o início ou o fim de outras águas dentro do peito?
Nessa época devo ter descoberto que na eqüidistância entre as estrelas, muitas estórias se afastam ou se aproximam pinelásticas no céu da pele que se plasma cetim e em consolo. São sinais deixados no hipocampo, são pontos e contrapontos, aspas e parêntesis reinventados?
Esse novo luar assemelha-se a infindável choro de outro céu, por debaixo da pele imemorial que, se perde tão logo da noção de tempo espaço e, que torna inequívoca a flora de tic-tacs de náusea. Pela presença de algo que não supre as faltas. Pelo desejo ocluso na boca dessa imensa noite. Pelo sono intranquilo. Pesadelo, pesadelos, velo e desvelo do próprio corpo: esse copo trêmulo e transbordante de águas sobre águas muito antigas – eis a textura da pele nessa noite precisa de um dezembro infindável da existência.
Na cama salvar-se rei e no reinado anoitecer plebeu. Desencantar-se. Desencontrar-se cada dia mais cedo ao fim de tudo: eis a tônica sem gin dessa vida limonada!
De dezembro de 1994 a dezembro de 2001. Qual o próximo minuto de revelação ainda estava por saber e por ...enlunar o céu de dezembro?
Houvera uma lua redefinindo os dezembros nos últimos anos e incrustando-nos na pele alternâncias de sorrisos e melancolia? Isso também avançava, poro a poro, pelos umbrais de novos desejos, quando o viver intenso assimilava os sinos a soar ao longe enquanto o luar tornava-se cada vez mais imponente, mas falando-me do passado, da infância e adolescência em silêncio, da juventude e maturidade se exaurindo ruidosas e pletóricas de cumplicidade nas formas que apreendi as relações com o ar, o fogo, a chuva, o vento e as brisas de todas as formas de amor que já conheci.
Este terá sido o início ou o fim de outras águas dentro do peito?
Nessa época devo ter descoberto que na eqüidistância entre as estrelas, muitas estórias se afastam ou se aproximam pinelásticas no céu da pele que se plasma cetim e em consolo. São sinais deixados no hipocampo, são pontos e contrapontos, aspas e parêntesis reinventados?
Esse novo luar assemelha-se a infindável choro de outro céu, por debaixo da pele imemorial que, se perde tão logo da noção de tempo espaço e, que torna inequívoca a flora de tic-tacs de náusea. Pela presença de algo que não supre as faltas. Pelo desejo ocluso na boca dessa imensa noite. Pelo sono intranquilo. Pesadelo, pesadelos, velo e desvelo do próprio corpo: esse copo trêmulo e transbordante de águas sobre águas muito antigas – eis a textura da pele nessa noite precisa de um dezembro infindável da existência.
Na cama salvar-se rei e no reinado anoitecer plebeu. Desencantar-se. Desencontrar-se cada dia mais cedo ao fim de tudo: eis a tônica sem gin dessa vida limonada!
UM NATAL PERDIDO NA MEMÓRIA EM NAFTALINAS
Eu era pequeno, bem me lembro e, o ano está meio perdido, ou melhor, desencontrado na memória. Deve ter sido entre o 5º e o 7º anos de minha vida. Sob nossa velha casa de madeira sem forro e de paredes trêmulas, sobre o piso também de madeira na sala composto de tábuas que se alternavam em PB. O acontecimento: nossa festa de Natal. Nessa época a sala ficava repleta de enfeites artesanais e, apaixonadamente feitos por minhas irmãs (inhas para os íntimos) entre dobraduras em miniaturas de sinos, chaves, botas do velhinho e a árvore de Natal feita de galho seco de árvore. Com matizes de carinho, os vidrinhos reutilizados de Penicilina viravam doses de solidariedade quando preenchidos com tinta colorida e que imitavam folhas. O papel celofane envolvia caroços de frutos da região em multicoloridas bolinhas para enfeitá-la. O algodão, entre o doce e o níveo da paz recobria o acabamento inicial de toda a estrutura da árvore. Minha mãe, hoje para mim Tina, sempre dirigiu toda a vida da casa. Na cozinha inventava sonhos para os filhos. Assim, da calda do cupuaçu, inventou um soberbo merengue de dar inveja para qualquer neve. Do mesmo fruto, da polpa saía a geléia e sorvete, hum. Mas o prato principal foi que deixou minha indelével marca na memória: pato assado com laranja. Nada seria tão inesquecível se esse pato não tivesse um nome que devíamos ter colocado como brincadeira de criança em nosso quintal. Pois bem ele se chamava Cremogema. Eram alvas suas penas. Seu porte de galã enlouquecia as fêmeas da espécie em êxtase, imaginávamos. No sacrificio desses animais, no ritual do lugar, a matriarca teria que fazê-lo tomar uns goles de pinga que, por lá se dizia azul, para que a carne adquirisse a maciez desejada. Só depois desse momento podia desferir-lhe um golpe no pescoço para em seguida assá-lo. E, essa foi a hora do ferro e fogo na memória por que não entendia como saía tanta coisa vermelha de um animal tão níveo. Minha mãe explicou-me que naquela cor saía a vida do animal, para alimentar e dar vida a outras vidas: as nossas, eu e meus outros 11 irmãos - 5 homens e 6 mulheres -, nossos também Papai e Mãe Noel o ano inteiro. Logo depois veio a hora do forno e, como ainda não entendia muito bem essa coisa de morte/vida, chorei ao vê-lo naquele calor infernal. Curiosamente, tentei imaginar tocando com o dedo mínimo esquerdo na porta do forno. Vieram choro e socorro da mãe com água fria no dedinho. Adormeci entre às 16:00h e 22:00h (?). Desperto, tentei encontrá-lo na cozinha e minha mãe novamente contou aquela historinha. Não reclamei e fui com ela ver a arrumação da velha mesa de madeira do centro da cozinha. Estava posta a ceia. O enfeite na base com papel laminado, um arranjo de flores naturais e os adereços natalinos inventaram outra mesa e parecia outra cozinha. Ao centro dela, minha mãe arrumou o pato, agora plenamente assado, decorado com rodelas de laranja do nosso próprio quintal e acompanhado com a farofinha batatina (de batata da mãe Tina) - a melhor do mundo. Ah, nesse ano também chegou nossa primeira eletrola que parecia maletinha de viagem. As músicas marcantes que dançamos na sala até a hora da ceia hoje eu sei e que não esqueço foram “Porque te vas” (J. Morillas), “Patapata” (Myriam Makeba) e I want to hold your hand (The Beatles). Essa noite nunca terminou na memória, hoje naftalinas, hoje entre a 3ª e 4ª décadas de vida, hoje sobre as nuvens, hoje apaixonada por culinária e cozinha, hoje apaixonada, hoje, hoje...
VER A VIDA
Acordei com uma vontade entalada na garganta de...abraçar os olhos com os cílios para ver a vida através dos poros... irisar os pêlos só das orelhas à voz azul... pintar o cinza do céu em um blues de Billie para chover azul à tardinha no meu merencórico amor...sair de seda branca de fininho entre as gotas ralas da chuva e compor um batique com os respingos e...depois dançar um batuque em blues etílicos e embriagar-me pelo olfato...fingir-me aceso no escuro...entardecer as horas aos cantos e...encantar-me pelos cantos...desencantar-me cantando...desencontrar-me em contos de réis e rezar o terço em quartos de hora até curtir os mistérios gozosos no quarto...na cama salvar-me rei e no reinado anoitecer plebeu...desencantar-me...desencontra-me cada dia mais cedo.
São Paulo, 28/03/2001 às 4:30h da manhã.
São Paulo, 28/03/2001 às 4:30h da manhã.
TV NA SEMANA
TV – SEMANA: (leia-se: Te vê na semana)
A segunda, só uma feira sem hábitos, carmelita descalça brincando de amarelinha com um time qualquer da segunda divisão, cheia de segundas e terceiras intenções nos primeiros segundos do dia; a terça, chorou-se sobre os terços tensos suspensos no torso desnudo de seu amante terceirizado e febril terçã benigno; a quarta, o quarto de hora que não quer calar, seguiu o dia sempre sonhando ser 50 e não 25%, como não pôde, debruçou-se sobre a cama e esnobou dos outros ¾ que dormiram na sala de espera – esse quartil vazio e frio; a quinta, a antepenúltima a ver pavios, chuvosa mandou todos para o quinto dos infernos, bem pra lá do fim do quintal quíntuplo; a sexta, cheirando a rua e lua cheia, despertou às 16:30h para o Happy hour e com um par de lentes cor de absinto encestou-se magicamente num arremesso de 3 pontos – nova grafia para dois pontos; o sábado, acordou cedo dentro de um sapato estampado com pura ceda do Ceilão e acabou dormindo com olhos de Afeganistão depois de beijar tantas bocas chinesas; O domingo, bingo, bingo, bingo...pingos (os sons da chuva na folhagem do cacau), pingo (que se estica pinelástico da torneira à pia cheia de...
A segunda, só uma feira sem hábitos, carmelita descalça brincando de amarelinha com um time qualquer da segunda divisão, cheia de segundas e terceiras intenções nos primeiros segundos do dia; a terça, chorou-se sobre os terços tensos suspensos no torso desnudo de seu amante terceirizado e febril terçã benigno; a quarta, o quarto de hora que não quer calar, seguiu o dia sempre sonhando ser 50 e não 25%, como não pôde, debruçou-se sobre a cama e esnobou dos outros ¾ que dormiram na sala de espera – esse quartil vazio e frio; a quinta, a antepenúltima a ver pavios, chuvosa mandou todos para o quinto dos infernos, bem pra lá do fim do quintal quíntuplo; a sexta, cheirando a rua e lua cheia, despertou às 16:30h para o Happy hour e com um par de lentes cor de absinto encestou-se magicamente num arremesso de 3 pontos – nova grafia para dois pontos; o sábado, acordou cedo dentro de um sapato estampado com pura ceda do Ceilão e acabou dormindo com olhos de Afeganistão depois de beijar tantas bocas chinesas; O domingo, bingo, bingo, bingo...pingos (os sons da chuva na folhagem do cacau), pingo (que se estica pinelástico da torneira à pia cheia de...
BELISTANTE
BELISTANTE"É preciso defender a alegria como uma trincheira defendê-la do escândalo e da rotina das ausências transitórias e das definitivas. É preciso defender a alegria como um princípio, defendê-la do medo e das armadilhas dos neutros e dos nêutrons de doces infâmias e graves diagnósticos"(M. Benedetti)
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